> Amor pelo mar e altos negócios - Juliana Wosgraus
entrevista: Ernani Paciornik
03/01/2008
Juliana Wosgraus
Entrevista: Ernani Paciornik
Ernani
Paciornik, o criador do maior salão náutico da América
Latina, localizado em São Paulo, está trazendo para Balneário
Camboriú o primeiro Boat Show catarinense (seu terceiro salão,
já que também possui um no Rio de Janeiro).
Dono de editora, que publica entre outras a revista
Náutica, Ernani nasceu de família rica. Natural de Curitiba,
seu pai, o renomado obstetra Moysés Paciornik, é o precursor
no Brasil do parto de cócoras. O irmão, Cláudio,
também é médico renomado e tem casa em Floripa.
Ernani criou seu próprio negócio em área diferente
do pai e foi igualmente bem-sucedido. Agora realiza sua feira náutica
em Balneário Camboriú, dia 17 de janeiro, com todos os
estandes já vendidos para expositores nacionais e locais. E Ernani
conhece o Estado com intimidade.
A seguir, uma conversa por telefone com esse empreendedor
do ramo náutico que adora o mar, começou a velejar no
litoral catarinense, onde também ganhou seu primeiro troféu
na vela, e decreta: cada pessoa que está num barco é guardiã
do mar.
Juliana Wosgraus - Por
que escolheu Santa Catarina para fazer o terceiro Boat Show do Brasil?
Ernani Paciornik - Na verdade, a gente
teria que fazer um salão no Sul e outro no Sudeste. E Santa Catarina
foi o lugar que apresentou condição melhor, está
no meio dos três estados do Sul e tem as praias lindas. Eu era
freqüentador de Florianópolis e Porto Belo, comecei a velejar
aí. O Estado está desenvolvendo muito em termos náuticos,
acho que está em terceiro lugar. Como pólo industrial
náutico acho que já é o segundo.
Juliana Wosgraus - E tem
tradição...
Ernani Paciornik - Se a gente pensar
que a baleeira e o motor catarina, um tipo de motor que tinha nas baleeiras,
era usado no Brasil inteiro, no passado, há 20 anos todo mundo
conhecia o motor catarina. Santa Catarina é um Estado com vocação
pra água, nada mais justo do que ter um Boat Show.
Juliana Wosgraus - Não
ter marina em Floripa, o que você acha isso?
Ernani Paciornik - Eu acho isso uma
tristeza, tem que mudar, é um absurdo, acho que estão
espantando riqueza. O mundo inteiro quer turismo de barco, porque o
tiquet médio é muito alto. Eu sei que existem movimentos
para que haja uma marina. As pessoas que estão no mar são
guardiãs do mar, cada cara que está no mar é um
fiscal, não é um predador.
Juliana Wosgraus - Algum
outro pecado?
Ernani Paciornik - Eu acho que essas
pontes, a Colombo Salles e Pedro Ivo, são um desastre. Veleiro
não cruza, fizeram uma coisa e não pensaram nos barcos
que poderiam passar, cortaram o caminho da Ilha, uma pena, é
uma falta de visão. Os barcos grandes não passam ali,
a Volta à Ilha (regata tradicional) para um pênalti por
conta das pontes. Já a antiga, a Hercílio Luz, é
mais alta.
Juliana Wosgraus - Qual
a expectativa de negócios no salão catarinense?
Ernani Paciornik - Eu acho que vai
ser um Boat Show quente, muito forte, o mercado está muito aquecido,
estamos levando para lá os maiores estaleiros do Brasil, além
dos de Santa Catarina. A feira é caracterizada pela presença
dos próprios estaleiros, não é o revendedor, e
aí fica muito atrativo para o consumidor que pode comprar direto
da fábrica, os preços ficam mais baratos.
Juliana Wosgraus - Qual
seu esporte náutico preferido?
Ernani Paciornik - Vela. A primeira
competição, e ganhei, inclusive, foi em 1982, o Circuito
Oceânico de Santa Catarina. A Náutica (sua revista) apóia,
este ano estamos apoiando. O meu iate clube é o de Porto Belo,
onde sou sócio.
Juliana Wosgraus - Tem
vínculos fortes com o Estado, então?
Ernani Paciornik - Eu moro em São
Paulo , onde faço a revista Náutica, mas meu iate clube
é aí, eu tenho um carinho muito grande pelo Estado, tenho
muitos amigos aí, de mais de 15 anos. A gente faz questão
de não perder o sotaque. Inclusive eu fiz uma revista que se
chama Náutica Sul, focando só os três estados do
Sul. E é importante manter os vínculos emocionais também,
eu tenho raízes aí.
Juliana Wosgraus - Antecipa
algumas novidades da feira aqui em Santa Catarina pra nós?
Ernani Paciornik -Vamos ter mais de
20 barcos para serem testados. Desde a workshore Force One, que faz
100 milhas/hora (180Km/h), até uma Ferreti de 70 pés.
Vai ter estréia do Sea Ray, do maior estaleiro do mundo, está
sendo importado para Santa Catarina pela Fibra Forte, o maior estaleiro
em volume de vendas de lanchas, é de Itajaí, vende mais
de mil barcos por ano. E claro, a Schaeffer, a Evolution vai ter três
barcos na água.
Juliana Wosgraus - Uma
mensagem náutica:
Ernani Paciornik - Eu queria
que Santa Catarina tivesse algumas marinas, outras iguais a Tedesco
(em Balnéario Camboriú), que o Estado merece. Eu acho
que o mundo viria pra Santa Catarina porque a comida é boa, o
povo é bom, a natureza é linda, cada barco traz empregos,
cada barco é um amigo, tudo gente do bem, e Santa Catarina é
um Estado literalmente virado para o mar.
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