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São Paulo tem 27 jet skis para cada km de
sua costa
27/02/2012
SP tem 27 jet skis para cada km de sua costa
Dados da Capitania dos Portos mostram que houve
aumento de 52,7% na frota do Estado nos últimos 11 anos
Aumento de veículos nas praias e condutores
sem habilitação tem feito as prefeituras restringirem
o uso

Ferreira, campeão de jet ski, na represa
de Guarapiranga; ele diz que máquina
não pode ser usada por qualquer pessoa - Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Por
AFONSO BENITES
RICARDO GALLO
DA FOLHA DE SÃO PAULO
Quem passa pelas praias paulistas acostumou-se
a ver jet skis cruzando o litoral. Não é para menos: neste
verão, São Paulo atingiu a marca de 27 jet skis para cada
quilômetro de sua costa. Há 12 anos, esse número
era de 18 para cada quilômetro.
O aumento da frota preocupa as autoridades e os pilotos
profissionais porque grande parte dos acidentes envolvem pessoas que
não tem autorização para pilotar. No último
dia 18, uma menina de três anos morreu atropelada em Bertioga
(leia mais nesta página).
Dados da Capitania dos Portos de São Paulo, um
órgão da Marinha no Estado, mostram que no ano 2000, havia
10.898 jet skis no Estado. Hoje, são 16.643, um aumento de 52,7%.
A cada dia, quase dois novos jet skis são comprados em São
Paulo.
O Estado responde por um quarto de todos os jet skis
do país, onde há 64.414 máquinas (veja quadro abaixo).
Não há um número oficial, mas associações
que reúnem pilotos estimam que ao menos 60% dos equipamentos
de São Paulo frequentem os cerca de 600 quilômetros de
litoral do Estado. O restante das embarcações é
dividido entre lagoas, baías e rios em áreas urbanas e
rurais.
A dificuldade em encontrar garagens para os veículos
em marinas específicas para jet skis é mais um indício
de que as praias estão tomadas pelas motos da água.
"Esse verão atingimos a lotação
máxima, 140 jets. Estamos planejando ampliar o espaço",
disse Maicon Riceli, funcionário de uma marina na Riviera de
São Lourenço, praia nobre de Bertioga.
Os municípios litorâneos têm dificultado
a locação de jet skis na areia das praias, área
onde têm autoridade -no mar, a fiscalização cabe
à Capitania dos Portos.
Guarujá foi o mais recente a proibir a atividade,
em janeiro, após um acidente. São Vicente estuda projeto
semelhante. Em São Sebastião, Santos, Itanhaém
e Mongaguá a atividade já é proibida.
O principal problema das barracas de aluguel de jet
ski é permitir que pessoas não habilitadas usem o aparelho.
Em São Paulo, segundo a Capitania, há
111.962 pessoas habilitadas para guiar. Elas são chamadas de
amadores porque possuem a carta de arrais amador, é o equivalente
a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) para veículos
terrestres.
Para o presidente da Associação Brasileira
de Jet Ski, Luiz Marcelo Teixeira, falta conscientização
dos donos de jet skis que emprestam seus veículos para pessoas
sem condições de guiá-los.
"Deixar uma pessoa não habilitada conduzir
um jet é o mesmo que dar as chaves de um Audi A4 para alguém
que nunca dirigiu andar pela marginal Tietê", disse.
Menino morre em acidente com jet ski pilotado pelo
próprio pai
Ao pilotar um jet ski sem autorização,
um homem acabou provocando a morte de seu filho Mitchill Guilherme Pereira
de Carvalho, 9, ontem em Ribeirão Pires (ABC).
O estudante estava em uma boia náutica com um
adolescente que era puxada pelo jet ski conduzido pelo pai do garoto,
Antonio Edivan Moreira de Carvalho, 40. Os três passeavam pela
represa Billings, quando ao passar próximo a uma ponte, uma onda
de outra embarcação teria feito a boia perder o controle
e se chocar contra uma pilastra. O garoto bateu a cabeça e não
resistiu. O pai admitiu aos policiais que não tinha autorização
para pilotar.
Já em Bertioga, um adolescente foi detido ao
ser flagrando por policiais pilotando um jet ski, na Riviera de São
Lourenço. Ele irá responder por ato infracional.
Dona de jet ski nega empréstimo de embarcação
A madrinha do adolescente de 13 anos envolvido no acidente
de jet ski que matou Grazielly Lames, 3, afirmou que o menino utilizou
o veículo sem autorização dela e do marido, José
Augusto Cardoso, donos da embarcação.
Grazielly foi atingida, no dia 18, pelo jet ski na praia
de Guaratuba, em Bertioga (103 km de SP)
Ana Júlia Cardoso fez a afirmação
em entrevista ao programa "Fantástico", da Rede Globo.
Segundo ela, o adolescente pediu para usar o jet ski. Ela disse que
pediu para ele aguardar e ele falou que não iria esperar. "Ele
é um menino que faz o que quer", afirmou.
Em depoimento à polícia, o jovem disse
que foi autorizado pelos padrinhos a usar a embarcação.
Menores de idade são proibidos de pilotar jet
ski. Um adulto que permite que um adolescente dirija a máquina
pode ser responsabilizado criminalmente.
O menino diz que não dirigia o veículo.
Mas que apenas ligou a máquina.
Testemunhas disseram à polícia que viram
o jet ski sendo entregue ao menino e a um amigo por um adulto, que seria
o caseiro dos Cardoso. O caseiro nega. Ana Júlia confirmou a
versão do funcionário.
Cardoso é pré-candidato pelo PSDB à
Prefeitura de Suzano (Grande SP). A Folha não divulga o nome
dos pais do garoto para não possibilitar a identificação
dele, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O nome de Cardoso é citado pois só essa informação
não permite identificar o menino.
Em Julho
Condutor terá de fazer Curso prático
A partir do dia 2 julho, a Marinha passará a
exigir um curso de ao menos quatro horas de aulas práticas para
quem for tirar o arrais amador, documento necessário para quem
quer pilotar um jet ski. Os cursos custam R$ 400. Atualmente, o condutor
só precisa ter mais de 18 anos, pagar taxa de R$ 40 e passar
por uma prova teórica na Capitania dos Portos.
Campeão diz que veículo é 'demonizado'
Piloto há 20 anos e campeão brasileiro
de jet ski na categoria Super Course Amador, o juiz de conciliação
Paulo César Ferreira, 40, diz que há uma "demonização"
do veículo aquático.
Folha - É perigoso pilotar um jet ski?
Paulo César Ferreira - É uma máquina
muito perigosa e por isso você precisa ter habilidade para pilotá-la.
Quem não tem habilitação não pode guiar.
Quando você tem o dom, ela torna-se simples. Não é
algo que uma criança faz com facilidade.
Como o senhor vê a repercussão
dos acidentes que ocorreram nesse início de ano?
Não se pode demonizar o jet. Ele é uma
máquina útil e um esporte para muitas pessoas. A culpa
dos acidentes não é dele, mas do ser humano que o está
guiando sem a habilidade necessária.
Quais cuidados os pilotos precisam tomar?
É preciso ter a carta de arrais amador e lembrar
que o jet só pode ser usado em áreas específicas,
distante da costa. O mais importante é não deixar a empolgação
com a velocidade criar uma autoconfiança, que é perigosa.
Uma máquina dessa não é qualquer pessoa que pode
pilotar.
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