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A carreta rodoviária é sua marina sobre rodas; saiba como
usá-la bem
14/02/2011
Uma carreta tanto transporta quanto guarda um
pequeno barco. E pode ser uma mão na roda, se você souber
escolher e usar
Por Otto Aquino
Da revista Náutica nº 247

A grande vantagem de quem tem jet ou barco pequeno é
poder guardá-lo na garagem de casa, sobre uma simples carreta,
economizando assim o aluguel de vaga na marina e podendo levá-lo
para onde quiser, sem longas navegadas. Mas isso também tem seu
preço: é preciso estar disposto a transportar o barco
para lá e para cá, o que não é tão
prático assim, e escolher uma boa carreta, para não correr
riscos nem se aborrecer depois. Neste caso, a primeira pergunta a que
você deve responder é para onde pretende levar o seu barquinho.
Se costuma navegar no mar, a carreta certa será uma de aço
galvanizado a fogo, mais resistente à corrosão e que tem
cerca de dez anos de vida útil — as de alumínio,
madeira ou aço convencional são indicadas apenas para
uso em água doce. Depois, verifique se o seu carro é capaz
de puxá-la com o barco completo em cima dela, incluindo motor
e equipamentos. Caso a carga total não passe de 500 quilos, qualquer
carro com motor acima de 1,4 litro resolverá. Para puxar mais
que isso, porém, você precisará de uma picape, de
preferência com tração nas quatro rodas, e também
terá de ter uma carreta com freios próprios. É
uma questão de segurança. E de norma de trânsito
também.
Não é necessária habilitação
especial para pilotar um veículo com reboque — com exceção
da Ford F-250 e da Dodge RAM, que já são consideradas
caminhões e, por isso, exigem carteira categoria C. A Lei Nacional
de Trânsito apenas determina que a largura da carreta (e o que
estiver sobre ela) não pode ultrapassar 2,60 metros, medida equivalente
à boca de barcos de 25 pés, por exemplo. Cascos maiores
só podem ser transportados com autorização especial
do departamento de trânsito — mas aí, convenhamos,
já está da hora de você providenciar uma vaga na
marina, certo? Ao rebocar um barco sobre uma carreta, você aumenta
o tempo de viagem (o ideal é trafegar 20% abaixo do limite de
velocidade), o consumo de combustível (cerca de 50%) e o custo
do pedágio (dependendo do tipo de carreta, paga por um ou dois
eixos a mais). Mesmo assim, se seu bote, jet, lancha ou pequeno veleiro
não passar de 25 pés e não for usado com tanta
frequência, a carreta continua a ser a melhor opção,
sob o ponto de vista da economia. Uma carreta om dois eixos e freio
próprio, para uma lancha de 20 pés, custa cerca de R$
4.000 — o mesmo que você pagaria por apenas oito meses de
hospedagem numa marina, em média.
Atente, porém, para o fato de que a carreta é
um veículo e, por isso, possui documentação e até
número de chassi próprio. Está isenta de IPVA,
mas deve ser licenciada uma vez por ano, como qualquer carro. Rebocar
uma carreta nada tem de complicado, desde que algumas poucas regras
de segurança sejam seguidas à risca. Uma delas é
dirigir em velocidade bem mais baixa que o limite das estradas. Outra,
manter uma distância consideravelmente maior que a costumeira
do veículo à sua frente, porque o espaço que uma
carreta exige nas freadas é o dobro do que bastaria para um carro
sozinho. Por fim, respeite sempre a relação entre a potência
do carro e o peso a ser rebocado, como indicamos no quadro acima.
Antes de pegar a estrada…
… Cheque se os tanques de água e de combustível
do barco estão vazios, porque aumentam demais o peso.
… Lubrifique o mecanismo que prende a ponteira da carreta ao engate
do carro a cada 15 dias.
… Confira sempre o estado dos rolamentos das rodas da carreta.
Eles devem ser trocados uma vez por ano, para evitar que as rodas do
reboque se soltem. E soltam mesmo!
… Amarre muito bem a proa e a popa do barco à carreta.
Lembre-se de que, em freadas bruscas, o barco tende a ir para cima do
automóvel.
… Para a carreta, dê preferência a tipo e tamanho
de roda iguais aos do carro, porque assim não será necessário
levar um estepe extra só para ela.
… Use uma corrente para prender a carreta ao engate do carro,
para o caso de a ponteira do reboque se soltar.
… Retire os estofamentos soltos do barco, porque o vento pode
fazer os bancos voar pelo caminho.

Como deve ser uma boa carreta
1 - Guincho
Devem-se usar roldanas de plástico no apoio dianteiro do barco.
2 - Berço
São as vigas de apoio longitudinais ou transversais. Deve haver,
pelo menos, duas.
3 - Para-lamas
Obrigatórios por lei, devem ser resistentes, pois poderão
servir de apoio para subir na embarcação.
4 - Rodinha dianteira
É bom ter, porque ajuda nasmanobras em terra. Há rodinhas
com regulagem de altura, que até deixam a popa mais baixa que
a proa, para a drenagem da água após os passeios.
5 - Guias laterais
Também chamadas de balizas, devem ser revestidas com plástico
ou carpete, para não danificar o casco.
6 - Placa Própria
Por ser um veículo, toda carreta tem documentação
e número próprio de chassi. Deve ser licenciada todo ano,
mas não precisa pagar IPVA. A Polícia Rodoviária
Federal costuma ser implacável com carros com reboque.
7 - Encosto dianteiro
Devem-se usar roldanas de plástico no apoio dianteiro do barco.
Tamanho certo
Pelas leis de trânsito, a carreta precisa ter, pelo menos, um
centímetro a mais que o comprimento do casco e seu motor.
Rebocador
Antes de escolher o carro, lembre-se de que a capacidade de carga deve
ser a soma do peso do casco, do motor e o da própria carreta.
Os cuidados ao dirigir
Rebocar não é difícil. Mas algumas coisas mudam
1 - Ultrapassagem
Lembre que estará dirigindo um conjunto que equivale a, no mínimo,
dois veículos. Avance bastante antes de tomar a frente do ultrapassado.
2 - Curva
A tendência da carreta é ir para dentro da curva. Por isso,
faça o contorno bem aberto, com o maior raio possível.
3 - Frenagem
Dirija sempre 20% abaixo do limite de velocidade e garanta um espaço
100% maior que o necessário para o carro parar.
4 - Manobras
Em marcha a ré, a carreta vai para o lado oposto ao do veículo.
Treine antes e tome muito cuidado.
Quem faz e vende carretas
Santiago de Caxias, tel. 21/2676-1610 Odne, tel. 16/3384-4379
Halley, tel. 44/3264-5272 Fortcar, tel. 41/3673-2386
Vivan, tel. 45/3268-1446 Mobitech, tel. 15/3262-7300
Tromar, tel. 11/6941-1000 SP Náutica, tel. 11/5543-1144
Fonte: http://www.nautica.com.br:80/noticias/viewnews.php?nid=ultc9359a01647dc4c057fc6690a54a0e62
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