Zona de risco !!
O que você faria se uma
onda de 3 metros levantasse na sua frente e você não
tivesse tempo para virar o jet e correr dela?
Essa é uma situação de risco
real que acontece com quem está sempre andando em ondas,
seja pelo motivo que for, por esporte, resgate, etc., e que levou
os praticantes a desenvolverem novas técnicas para se saírem
bem em situações de extremo risco.
O pessoal do surf chama de “joelinho”
quando a pessoa apóia os joelhos na prancha na frente da
onda estourada para afundar o bico da prancha e furar a onda.
No caso dos jets a técnica é diferente e não
é a mesma para os em pé e os sentados.
Bom, regra número 1: nunca
fique de lado para as ondas, porque se uma te pegar nessa
posição não há muito o que fazer,
a não ser pular do jet e torcer para que depois de ser
arrastado pela onda, ele pare virado para cima, e não de
ponta cabeça enchendo de água!
Para furar as ondas com jet em pé,
utiliza-se a técnica vinda de uma manobra de freestyle,
o submarino, frontal ou lateral. Em caso de onda já estourada,
no momento em que a espuma vai atingi-lo, o piloto mergulha e
fura a onda sempre acelerando para não ser arrastado de
volta com a mesma, ou se subir aquela parede na sua frente, você
pode simplesmente deitar no jet e acelerar, que ele também
irá furar a parede.
No caso de jets sentados, a técnica
é um pouco diferente, pois não é possível
executar nem um “joelinho” e nem um submarino com
um veículo de quase 300 kg, então o procedimento
é o seguinte: no caso da espuma vir em sua direção,
o melhor mesmo é desviar e esperar uma boa oportunidade
para passar a arrebentação, mas caso seja preciso
enfrentar o espumeiro, posicione-se de frente para ele
e mantenha a aceleração constante, mais
ou menos meia aceleração, não pare de acelerar
e assim que o bico do jet tocar na espuma acelere tudo, posicionando
o corpo para frente para o jet não “empinar”.
O segredo é manter a turbina na água para não
perder a tração e ser puxado de volta. Se for muito
rápido você irá saltar a onda, mas o jet sairá
totalmente desgovernado por causa da turbulência da espuma
e a chance de cair do outro lado e ser pego pela próxima
onda é grande e se for muito devagar será arrastado
com a mesma.
Caso uma parede de onda suba na sua frente
e você não tenha chance de desviar, você se
posiciona bem de frente para ela, com o jet quase parado, e só
acelere tudo quando a onda começar a encobrir o bico do
jet, desta forma você irá furar a onda, e não
saltar, o que seria muito difícil com a parede em pé
na sua frente. Ah! Não esqueça
de abaixar a cabeça e se encolher atrás do protetor
de guidão, pois a pressão da água é
muito forte, e é preciso diminuir ao mínimo o arrasto
dela em seu corpo e segurar com muita força no guidão,
caso contrário o jet fura a onda, mas você fica!
Saber as técnicas é muito
importante para se livrar de situações
de risco, que são cada vez mais comuns, uma vez que os
atletas se arriscam cada vez mais surfando em ondas grandes, em
lajes, onde no fim da onda tem uma enorme rocha, etc., ou realizando
resgates arriscados no caso dos que praticam tow-in (surf rebocado
por um jet ski).
Nessa situação, além da preocupação
com as ondas e com o surfista, existe também a preocupação
com o cabo de resgate, porque se o jet passar
por cima e enrolar na turbina, já era! Percebendo que a
turbina sugou o cabo, desligue o motor imediatamente, porque quanto
mais você acelerar mais difícil ficará para
extraí-lo.
Aí entra outra técnica, a de tirar
um cabo enrolado no eixo da transmissão. A primeira
reação das pessoas é de pegar uma faca e
sair cortando tudo, isso quando se está no seco, mas e
se você estiver dentro da água e não tiver
uma faca? Bom, contando que você tenha as ferramentas originais
do jet, existe uma ótima técnica, que já
apliquei várias vezes.
Tire as velas do motor e com a mão
gire-o no sentido inverso à sua rotação,
assim você desenrola a corda, salva o cabo e sai da "gelada"!
(Essa opção é valida mesmo quando se tem
uma faca em terra firme!).
E quando o jet pára na água,
no meio da arrebentação (situação
difícil para pegar o celular em baixo do banco!), é
bom segurar-se na parte traseira, posicionando o corpo dentro
da água, como um leme, direcionando a ponta do jet para
a praia, aproveitando para ir no arrasto, ‘pegando
um jacaré’.
Um jet bem equipado é fundamental para
quem se arrisca nas ondas e, em minha opinião, uma boa
hélice é o principal acessório para
o jet ter boa tração na hora certa. Uma bomba
de porão elétrica ou por sucção,
tipo “pé de pato”, e alças para
travar capô e banco também são importantes.
Outra coisa que quem vai praticar freeride deve
saber é com relação aos saltos.
O primeiro passo é estar bem equipado, capacete, colete,
bota, luva, etc., em caso de você saltar e cair de ponta
cabeça, ou seja, com o jet por cima, nunca largue-o porque
estará correndo o risco dele cair na sua cabeça.
O certo é segurá-lo e cair junto porque você
afunda na água e ele pára na superfície.
Abraço a todos!
Tchello
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O big rider Romeu Bruno na zona de risco,
no Hawaí. O jet na espuma perde muita tração,
é preciso uma boa hélice para não ficar na
"robada".

Jet ski com problema em lugar muito perigoso,
pela marca das espuma nas pedras, dá para imaginar o tamanho
das ondas!

Jimmy Visser. Técnica apurada para
pegar um tubo com o jet. "Zona de alto risco".
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