As leis que deveriam mudar !!!
Gostaria de deixar,
através desta coluna, algumas sugestões do que deveria
ser revisto na lei que regulamenta o uso do jet ski. Entendo que
sendo um veículo relativamente novo, existem vários
aspectos que não possuem uma
legislação específica,
o que ao meu ver, prejudica tanto os condutores quanto os banhistas
e autoridades responsáveis pela sua fiscalização.
A primeira delas é a habilitação
do condutor para pilotar um jet, a carteira de Arrais
amador. Acho que deveriam incluir alguns itens e informações
específicas para o jet ski. Como acontece com carros e
motos, jets e lanchas são veículos completamente
diferentes de pilotar, e o exame carece de informações
específicas do tipo:
Se seu jet ski virar como proceder? Como desvirá-lo?
Como colocá-lo em funcionamento novamente? O condutor estaria
apto para realizar? Se uma pessoa conduzindo um jet ski
a 35 milhas tem que desviar bruscamente de um objeto a sua frente,
como proceder?
Nesse último caso 90% das pessoas a quem
faço essa pergunta responde que param de acelerar e tentam
desviar, o que seria uma reação natural em se tratando
de carros e motos, mas que nesse caso é totalmente
errada. Deve ser ensinado que por ser impulsionado por
um hidro-jato, o jet fica sem direção se não
houver aceleração e como também não
tem freios e possui um menor arrasto hidro-dinâmico em relação
as lanchas, percorre um espaço maior até parar,
devendo-se portanto mudar o curso mantendo a aceleração,
o que não é tão simples de realizar por parte
de pessoas inexperientes, e é a causa de grande parte dos
acidentes. Em minha opinião esse procedimento
deveria ser, não só muito bem explicado aos futuros
condutores, como também treinado na prática! É
uma questão de segurança!
Tem também o item chave de segurança,
que como comentei em minha coluna anterior, muito gente ainda
anda sem e não sabe o risco que significa conduzir sem
a chave corta corrente devidamente colocada.
Outra questão é com relação
aos esportes: a lei não prevê situações
de prática de jet ski nas áreas de arrebentação
das ondas, o que é cada vez mais comum hoje com a prática
do tow-in e de freeride. Assim deveriam ser criadas mais áreas
em locais onde se praticam esses esportes, sendo muito bem definidas
e sinalizadas, para separar surfistas e banhistas dos jets, o
que traria muito mais segurança a todos, além de
facilitar a fiscalização por parte das autoridades
competentes, uma vez que os praticantes se concentrariam em uma
área especifica.
O esporte cresce a cada dia! No Brasil já
há vários atletas nestas modalidades, com destaque
mundial e não há uma área específica
e legalizada, onde possam treinar. Um projeto de lei nesse sentido
está em andamento em Florianópolis, onde recentemente
houve uma audiência pública na qual o assunto foi
discutido, não sendo ainda aprovado pelo fato da área
escolhida não estar de acordo com os interesses da comunidade
local, mas teve o parecer favorável da Marinha
que entende ser principalmente a segurança de todos a vencedora.
Esses tipos de área devem ser determinados pelo município,
em parceria com a Marinha, e enquadrar-se na norma.
Cito também o fato de que para
transferência ou registro de um jet ski não
é feito nenhum tipo de vistoria para avaliar as condições
técnicas do veículo e verificar a procedência
do mesmo. Aliás, aqui vai um toque para os fabricantes:
já está mais do que na hora de rever a identificação
dos jets. Aquelas “plaquetinhas” de plástico
no casco e no motor são facilmente falsificadas e deveriam
ser padronizadas, pois são totalmente diferentes de um
fabricante para outro.
Outro artigo que deveria ser revisto é
o fato de o jet ski não poder rebocar
nada, nem prancha, esqui, bóias, etc., sob a alegação
de que não é seguro. Como não, se o jet não
possui hélice exposta como uma lancha, além de ser
o veículo de resgate comprovadamente de maior eficiência
em situações extremas!
Bom, deixo aqui minha opinião resumida
de que já está mais do que hora do jet ter uma
legislação própria e não
ser mais tratado como lancha, bote ou similar, que a carteira
para conduzir seja especifica para ele pelas razões acima
citadas, e que o teste para obtê-la seja não apenas
teórico, mas também prático!
Como o tema é muito extenso, encontro-me
à disposição para debater sobre o tema com
autoridades, condutores ou quem quer que tenha interesse.
Em abril estarei indo para Europa supervisionar
as três primeiras provas do mundial de Freeride:
Portugal, Espanha e França. Mandarei noticias para manter
você leitor, a par do que está acontecendo por lá!
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