O Jet Waves de 2004 firmou um marco no
Freeride mundial, e muito dessa reviravolta tem a ver com nós,
brasucas.
Depois de Florianópolis
2004, o Freeride nunca mais será o mesmo. Foi durante
este 6º Jet Waves World Championship que as federações
internacionais concordaram em fazer o primeiro campeonato
mundial. Em 2005, o Jet Waves terá
cinco etapas, passando por Portugal (16 e17 de abril), Espanha
(23 e 24 de abril), França 30 de abril e 1º de maio)
e Estados Unidos (data a ser definida). O Brasil será
palco da grande final, em novembro de 2005.
O Jet nas Ondas ou Freeride
nasceu como uma atividade descompromissada de surfistas
e pilotos de jet, que enfrentavam as ondas em apresentações
sem regras, pontuação ou vencedores. Estados Unidos,
Brasil e França foram os precursores na organização
das primeiras competições da modalidade. Pilotos
diferentes, ondas diferentes, regras diferentes, interesses
diferentes.
O Brasil e o Jet Waves tiveram papel fundamental na aproximação
entre Europa e Estados Unidos. Em 2005, pilotos de todo o mundo
vão disputar a primeira Copa das Nações,
que cada ano será disputada em um país. Não
é à toa que a primeira edição será
disputada aqui, na terra brasilis.
Além da Copa das Nações,
e do Mundial no fim do ano, nós teremos também
um Campeonato Brasileiro, com duas etapas.
O Brasil lidera a nova
diretoria mundial de Freeride
Se o Brasil já tinha uma grande responsabilidade antes,
agora a coisa ficou ainda mais séria. Durante a reunião
anual da entidade, que aconteceu aqui em Florianópolis,
fui eleito como novo o Presidente Mundial da IFWA
(Internacional FreeRide WaterCraft Association), junto com o
Vice-presidente Luiz Fragoso, de Portugal e os diretores técnicos
Jimmy Visser, da África do Sul e Carol Justina, dos EUA.
VI Jet Waves World Championship
No que se refere aos pilotos, o nível
também tem melhorado bastante, cada vez mais manobras
radicais são realizadas. Há apenas três
anos, os pilotos da categoria “sit-down” (jets com
banco) estavam anos-luz atrás dos gringos. Já
neste ano, tivemos nomes como Du Nunes se classificando em quarto,
e Leandro Vieira executando vários “tunôs”
(manobra com giro de 360º com o jet) e acabando em sexto
— colocação que seria melhor, se ele não
tivesse perdido o jet em um dos tunôs.
Na categoria stand-up amador, o pega também
foi grande. A bateria final entre o carioca Leonardo Caldoncelli
e o paranaense Walmir Jr. mostra bem a evolução
dos pilotos amadores.
Já na profissional, os brasileiros roubaram
a cena. Tanto Alessander Lenzi - recém chegado de uma
longa viagem - quanto Ivo Sehn - que não andava de jet
há dois anos - surpreenderam os ditos favoritos, como
o americano Chris MacClugage, o italiano Federico Bufacchi e
o sul-africano James Visser.
Lenzi foi o melhor na média geral. Surfou
bem, saltou bem e soube aproveitar os problemas enfrentados
por seus adversários Já Ivo usou e abusou do que
mais sabe fazer, surfou muito para compensar a falta de treino
nos saltos. Pelo jeito deu certo.
Destaque para as manobras mais bonitas, em minha
opinião: o tunô com “re-entry” feita
pelo MacClugage, que ele disse ter copiado do Ivo em 2002, o
“back flip” com “twist” do Bufacchi
e o “back-flip no hands” do Jimmy na final.
Bom, para concluir a coluna, quero completar
o título. O “Futuro do Freeride” é
o futuro do jet ski no mundo, basta ver a enorme cobertura feita
pela mídia nacional e internacional, o interesse dos
pilotos e promotores na realização de cada vez
mais eventos do gênero no mundo.
Até a próxima!
Marcelo Brandão,
o Tchello
Marcelo Brandão, o "Tchello"
é pioneiro do Freeride no Brasil.
Introduziu o Jet Waves no Brasil no mesmo ano em que a modalidade
surgia na França e nos EUA.
Atualmente é o presidente da IFWA, entidade que organiza
o Freeride em todo o mundo.