Fabricar motores, o
próximo desafio da indústria náutica brasileira
> 14/08/2011
A indústria náutica no Brasil deu um grande
salto nos últimos anos: além de fabricar cascos
de diversos tipos e tamanhos, também está fabricando
uma série de acessórios de embarcações,
desde de eletrônicos a hélices, e acessórios
em geral. Mas, resta um grande desafio: o de fabricar motores.

Hoje 100% das embarcações vendidas
utilizam motores importados. Não que não tenhamos
a tecnologia necessária para produzi-los, mas com o a atual
baixa do dólar, creio não ser muito interessante
economicamente. Porém, até quando isso vai durar?
No passado recente, fabricou-se por aqui não
só os motores, mas o jet ski completo, quase que 100% nacional,
e havia mais de um fabricante. No entanto, o fator econômico
e tecnológico fez a indústria nacional sucumbir.
No campo econômico, os numerosos altos e baixos do cambio
e da economia foram fatores decisivos. Já no campo tecnológico,
estávamos no tempo dos motores a 2 tempos, carburados,
os quais estão com seus dias contados no mercado. Também
não se pode dizer que desenvolvíamos motores, o
que era feito por aqui era pura cópia dos importados.

Nas lanchas foram muito utilizadas versões
de motores automotivos, tanto a diesel quanto a gasolina “marinizados”,
como os MWM e Chevrolet 6 cilindros. Mas, cá entre nós,
era o que se chama de 2 alegrias, a de quando se adquiria e a
de quando se livrava do mesmo!
Recentemente o entusiasta renomado preparador
de motores, o gaúcho Adail Cunha, conhecido como Bolinha
no meio das competições, resolveu construir um motor
totalmente nacional, e que tivesse tecnologia de “ponta”
, podendo ter várias aplicações, como nos
jet, lanchas e até em pequenas aeronaves como ultraleves
etc.

Após três anos de muito trabalho
e pesquisa, ele apresentou recentemente o protótipo de
seu novo motor, totalmente nacionalizado e desenvolvido por ele
com parceria da Fuel Tech. O motor de 1000 cc pode chegar a 200
HP na versão turbo, pesa 80 quilos e pode ser utilizado
em vários veículos, jets, barcos, ultra-leves e
outros, já que possui baixo peso e ótima durabilidade.
Ainda, a maioria das peças é facilmente encontrada
no mercado automotivo. Toda eletrônica é nacional
e de última geração desenvolvida pela já
citada Full Tech, que desenvolve as eletrônicas dos Stock
Car e motores de alta performance. Possui acelerador eletrônico,
(sem cabos) e utiliza na versão turbinada um turbo compressor
Garrett KKK. O motor é com cárter seco e bloco usinado
em alumínio, pistões forjados e bielas forjadas
e fraturadas para alta resistência do motor.

Além de desenvolver o motor, Bolinha também fez
um novo casco de jet ski stand-up (em pé), no qual desenvolveu
um chassi para fixação do motor, totalmente em inox,
onde o casco do jet torna-se apenas um acessório do conjunto.
O casco além de abrir no meio para facilitar a manutenção,
é totalmente vedado, não permitindo entrada de água.
A turbina de propulsão, trim hidráulico e tudo mais
no jet foi por ele desenhado e desenvolvido.
Dentro de um ano o motor deverá estar em
linha de produção, com preço muito competitivo
em relação aos importados, e, como citado acima,
poderá equipar vários tipos de veículos.
Ele procura agora por empresas interessadas em produzi-lo em série.

Outra coisa pouco difundida no Brasi, são
as lanchas a hidro-jato, como os jet skis e jets boats. São
muito eficientes, proporcionam navegação em locais
mais rasos, e uma série de vantagens, tais como a manutenção
mais simples já que o sistema não possui engrenagens
para engates, óleos para trocar etc..
Bom fica aí a dica. Do jeito que vai a
indústria náutica no Brasil, já está
em tempo de fabricarem motores por aqui!


