A explosão do Tow-in
Há mais ou menos 5 anos atrás, em
conversa com um diretor de uma marca fabricante de jet ski disse
a ele que em mais alguns anos eles estariam anunciando seus produtos,
além de nas revistas voltadas para o mercado náutico,
também nas revistas de surf, o que já está
acontecendo no exterior e é questão de tempo para
a moda chegar por aqui.
Acontece que cada vez mais surfistas estão
adquirindo jets para praticar o Tow-In, que significa,
em inglês, "puxar para dentro", no caso para dentro
da onda o surfista que está sendo rebocado.
Esse esporte nasceu na década de 90 no
Hawaí, e é claro que como tudo que envolve jet ski
é polêmico!
A comunidade do surf está dividida
em 2 grupos, ou melhor em 3!
1 -Os que tem um jet e praticam. 2 - Os que não tem jet
e não gostam e são contra. 3 - Os que não
tem jet por não ter grana para comprar por isso dizem que
não gostam e são contra, mas se você der um
jet a eles mudam de opinião na mesma hora!
Em minha opinião o Tow-in está para
o surf, assim como a cadeirinha que leva o esquiador para cima
da montanha, há 50 anos atrás todo mundo subia a
pé, hoje não mais, no surf acontece mais ou menos
isso, guardadas as devidas proporções, porque pilotar
um jet em condições extremas é um pouco mais
radical que subir na cadeirinha da montanha!!hehe!!
Agora os surfistas estão descobrindo que
o jet pode possibilitar novos horizontes ao surf,
uma vez que o surfista entra na onda antes do tempo normal (comparado
ao surf remado) e desfruta mais tempo na onda, com mais velocidade,
possibilitando novas manobras.
Já existe no Brasil uma Federação
Brasileira de Tow-in que está começando
a criar normas para o esporte, o que a meu ver é urgente,
para que não haja atropelamentos nas praias e, para que
o jet ski não acabe como o “vilão da história”
por imprudência de alguns.
Já ouvi vários comentários
no meio de pessoas que nunca pilotaram um jet do tipo “jet
é muito fácil, tiro de letra!” Pode até
ser, mas pilotar em uma lagoa é uma coisa, nas ondas é
outra! Além de estar atento com a ondulação,
tem o agravante do cabo que está sendo rebocado, e não
pode enrolar na hélice nem enforcar o passageiro ou outra
pessoa na água no momento do resgate, e o piloto tem que
ser preciso nessa hora, ou pode colocar a dupla em um situação
perigosa. Portanto, não é fácil assim, é
preciso treinamento com quem entende do assunto antes de se aventurar!
Por parte do jet ski, algum acessórios
são recomendados para melhorar a performance e ajudar a
evitar “roubadas”!
Nesse caso, o primeiro item da lista é a hélice,
existem modelos modernos desenhados para não “cavitar”
( é quando você acelera, mas o jet não anda
na espuma, fica patinando ) possibilitando transmitir melhor a
poêencia do motor para a água. Nos casos de jet modelos
básicos, com menos potência, existe a possibilidade
de colocar um modelo de passe mais curto para melhorar a arrancada.
Em seguida viria uma bomba de porão
elétrica, similar a usada em lancha, para quando
o jet virar e encher de água você poder desvirá-lo
e tirar a água para tentar colocá-lo em funcionamento.
Aí entra o terceiro acessório: um Primer
Kit, que é uma pequena bombinha manual, que também
faz a função do afogador, que puxa gasolina do tanque
e injeta direto na carburação, assim se houver um
pouco de água dentro do motor tem se uma chance maior de
colocá-lo em funcionamento.
A instalação de um piso
antiderrapante tipo “Astro-deck” também
é muito recomendável, uma vez que os pisos originais
não travam tanto os pés descalços, e alguns
modelos vem sem piso.
Travar o capô dianteiro e o banco
para que não sumam em caso de uma “vaca” é
uma ótima precaução, porque além de
serem peças bem caras, se perder alguma delas e o jet virar,
certamente irá emborcar.
Procure usar um “Sled”
(prancha de reboque) proporcional ao tamanho de seu jet, e um
cabo de reboque específico para o tow-in,
que seja grosso para não entrar facilmente na turbina,
de cor clara e boiar para ser facilmente identificado.
É isso aí, lembre sempre que andar
com jet nas ondas só é permitido oficialmente em
locais autorizados, se não for seu caso procure um local
isolado longe de pessoas, use colete salva-vidas
e chave corta-corrente sempre presa ao corpo
do piloto.
Até a próxima,
tchello@pronautica.com.br
Marcelo (Tchello)
Brandão
Na foto abaixo, o piloto coloca o surfista na
onda, e depois o acompanha para resgatá-lo.

Foto autorizada para publicação:
Eduardo Shultz
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