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Tchello - Entrevista

Marcelo Brandão é fera no jet-ski

Por Sylvio Mancusi

O paulista radicado em Florianópolis, Marcelo Brandão é um dos maiores conhecedores de jet-skis no País.

Brandão trabalha na organização da Copa Jet Waves, um dos principais eventos de jet-skis no Brasil e é dono da PróNáutica, loja revendedora e de assistência técnica localizada em Florianópolis.

Ex-competidor, Brandão tornou-se um profundo conhecedor do ''brinquedo'' e hoje passa grande parte de seu tempo ensinando os macetes para seus pupilos: Romeu Bruno, João Capilé e Dudu Shultz.

Numa sessão de tow-in em um dia de ressaca na praia de Mocambique, em Florianópolis (SC), havia três aparelhos na água e, por coincidência, todos pararam de funcionar. Até que ''Tchelão'', como também é conhecido, os colocou de volta na água rapidinho com toda sua experiência.

Em meus quase oito anos de tow-in nunca havia presenciado tanta eficiência em cima de um jet. A galera em Floripa está bem servida no que diz a assistência técnica.

Na entrevista abaixo, Brandão fala como começou sua paixão e quais são as melhores maneiras para fazer a manutenção e compra de jet-skis, além de comentar os danos que os equipamentos podem causar à natureza.

Como começou sua paixão por jet-skis?
Bom, passei a maior parte da minha infância e adolescência em Ubatuba (SP). Todos os meu amigos são surfistas, mas eu sempre fui "paneleiro" e não passei disso. Mas, o que eu gostava mesmo era de correr de motocross, onde me dei bem em vários campeonatos. Então, quando tive primeiro contato com jet em 88, adorei porque mesclava as duas coisas: surf e motocross.

E como começou a trabalhar com venda e manutenção?
Quando mudei para Floripa em 1989, trouxe um jet-ski para cá. E como todo mundo queria um, no ano seguinte acabei montando uma loja, a ProNáutica Jet Ski, uma das primeiras no País e que até hoje está aqui.

Quais são os melhores jet-skis para prática do tow-in?
Na minha opinião, os melhores são os de três lugares, pois são mais estáveis. Mas, quando se acopla um sled (prancha de bodyboard para resgate anexada à traseira do jet) mesmo em um jet com dois lugares fica mais estável também. O mais importante é a habilidade do piloto.

Quais são os problemas mais freqüentes que ocorrem com donos de jet-skis?
Esse tema é bem extenso. Existem vários grupos de problemas. Os técnicos, os de legislação, os ecologistas radicais etc . Os técnicos vou responder na pergunta seguinte. Os de legislação são os que tratam um jet-ski como uma lancha, no que diz respeito à habilitação, local onde trafega, entre outros.

A relação jet/lancha é como moto/carro, não é porque você sabe dirigir um que sabe o outro também. Acho que a legislação atual tem de ser revista. Poderiam aproveitar que as "reformas" estão na moda e fazer uma reforma na legislação naval, que também é muito antiga.

Não podemos deixar de lembrar que andar com jet na ondas, seja para praticar tow-in ou jet waves, é contra a lei vigente. Apesar disso, ando há vários anos. O mais importante de tudo é ter bom senso, andar em lugares isolados longe de banhistas e surfistas. Em parceria com a prefeitura e a Capitania dos Portos, estamos separando algumas áreas onde será permitido andar nas ondas. Mas, esses locais serão devidamente sinalizados.

E quando me refiro aos "eco-radicais" não estou querendo colocar todos na mesma panela. Entendo que a preocupação com poluição é coisa séria. Mas têm alguns grupos que porque viram o ex-presidente Fernando Collor na TV de jet-ski há 12 anos e não gostam dele, simplesmente associam o jet a ele, a direita e a burguesia que ele representava na época. Com isso, fazem de tudo para desmerecer esse veículo, sem parar para pensar nas vantagens que ele ofereçe como salva vidas etc.

E também não estão interados para saber que os jet novos poluem muitíssimo menos que seu avós, os primeiros modelos fabricados.

Quando acontece um acidente, o que é raro, caem matando sem lembrar das inúmeras vidas salvas por eles. O jet é um veículo como qualquer outro e tem de ser encarado como tal. E não como um "brinquedinho". O que faz a diferença é aquela "pecinha" atrás do acelerador.

Outro ponto a ser lembrado, sem generalizar, é que os surfistas sempre brigavam com pescadores quando eles não permitiam que os surfistas pegassem onda em determinadas épocas e lugares, alegando que os pescadores não são os donos da praia. Mas, vários surfistas têm a mesma atitude em relação aos jets. A grande maioria sempre viu com maus olhos os usuários do aparelho.

Mas, com a popularização do tow-in, está acontecendo um fenômeno diferente entre os surfistas, dividindo-os em dois lados. Os a favor e os contra!

E os praticantes de tow-in. Quais são os problemas mais freqüentes que você resolve no jet dessa galera?
Em relação à parte mecânica, eles não foram projetados para o uso que fazemos deles. Então, é preciso colocar alguns acessórios, como uma hélice especial para ondas, que não "cavite" na espuma, uma bomba de porão elétrica ou um diafragma para tirar água do casco no caso de uma vaca. Além de estar sempre com a manutenção do equipamento em dia, porque a lei de "Murph"' cai que nem uma luva: ele insiste em falhar bem no dia do swell.

Outro grande inimigo a ser combatido e o pior deles é a ferrugem. No caso de uso em água salgada ela se torna bem mais expressiva. Então, é preciso lavar sempre o equipamento com água doce e pulverizar óleo, com muito spray e de preferencia mantê-lo sempre funcionando. No caso de deixá-lo muito tempo parado é recomendável encher o motor de óleo para que não enferruge.

Existe uma grande polêmica em relação a poluição que o aparelho causa ao Meio Ambiente. O que acha disso?
Seria mentira afirmar que jet ski não polui. Mas, o fato é o quanto polui. Se comparado a outros veículos náuticos, como lanchas e barcos (tipo 'Batera' usado por pescadores e movidos por óleo diesel), o jet ski polui muito pouco. Entre esses, sem dúvida, os que mais poluem são os barcos com motor movido a diesel. A queima deste combustível tem um aproveitamento menor que gasolina, com isso, mais quantidade é jogada pelo escape sem ter sido queimada. E os escapes jogam os resíduos da queima diretamente na água sem nenhum tipo de tratamento.

Outro grande poluente é o ' veneno ' , produto químico adicionado à tinta que é aplicada no fundo do casco de embarcações que permanecem um longo período sem serem retiradas da água. Esse produto é altamente tóxico e serve para que os fungos e moluscos não grudem no casco e não proliferem. Mas, com o tempo, vai se descolando do casco e poluindo e matando a fauna e flora que entram em contato com ele. Os motores a diesel mais modernos já possuem bombas injetoras eletronicamente controladas, que melhoram a queima de combustível e diminuem o índice de poluição, Mas, mesmo assim, dentro dos tipos de motores são os que mais poluem.

O jet ski é o que menos polue, pois é impulsionados por hidro-jato (turbina) e não hélice, como a maioria dos barcos e lanchas. Um estudo realizado pela Universidade do Rio de Janeiro (URJ) há anos atrás revelou que a turbina do jet ski oxigena a água. E que se por um lado o jet polui um pouco, por outro ajuda na despoluição renovando e acrescentando oxigênio à água, funcionando como o ar introduzido em um aquário.

Esse estudo foi encomendado a URJ em função da polêmica criada a respeito da realização de uma competição de jet ski na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. E foi concluído que seria altamente benéfica a realização da corrida para oxigenar a água da lagoa. Com a modernização dos aparelhos e a renovação da frota, levando-se em conta que a vida útil é de 10 anos, os índices de poluição ficarão muito mais baixos a médio prazo

Existem cursos para a galera aprender a resolver problemas básicos ou avançados?
Os fabricantes oferecem apenas para mecânicos de revenda. Mas, a mecânica dos jets não é muito diferente de motos e motores de popa.

Qual conselho você dá para quem pretende comprar um jet?
Antes de pensar no jet coloque a mão na consciência e pense como e onde você vai usá-lo. Providencie a carta de arrais amador, caso ainda não possua. Use sempre colete salva-vidas. Além de serem obrigatórios, conheço várias pessoas que ainda estão nesse mundo por estarem com ele. É importante também o uso da chave 'corta corrente' sempre presa ao piloto, pois vários acidentes acontecem pela falta dela.

A melhor escolha é sempre um novo. Mas, caso opte por um usado, tem alguns macetes que podem ser observados mesmo por quem não entende: Verifique se o jet não tem ferrugem ou maresia; olhe sempre no suporte do motor, porque normalmente a ferrugem brota lá. Verifique a compressão do motor e barulhos estranhos.

No caso de comprar em uma loja, peça alguma garantia. As lojas são obrigadas por lei a oferecer. No caso de particular, vale o que você tratou com ele. E se você não entende nada de jet, procure alguém que entenda como um mecânico etc. Cheque os acessórios que ele possui (na venda não valem muito, mas na compra custam uma grana).

O item combustível também pega. Nossa gasolina tem álcool e eles não são preparados para isso. Se o jet, no caso de ser com carburador, ficar muito tempo sem uso (mais de dois meses), o combustível começa a criar uma gosma que entope o carburador. No caso de ele falhar, vale mais verificar o problema, que pode ser apenas um carburador sujo, do que arriscar a andar e danificar o motor. Recomendo o uso de gasolina Pódium ou Premium, por terem mais octanagem e o motor funciona melhor.

É importante verificar os rolamentos de roda da carreta antes de viajar para não entrar numa robada. Já vi muita gente perdendo roda por aí! Certifique-se de que o número do chassis bate com o documento, se o seguro obrigatório está em dia, e se não tem bronca na capitania. Quem quiser tirar alguma dúvida, estou à disposição. É só enviar uma mensagem para tchello@pronautica.com.br . E lembre-se que se você emprestar um jet a uma pessoa não habilitada a responsabilidade é sua.

Quais adaptações devem ser feitas em um jet que será utilizado para tow-in?
Citei acima: são a bomba de porão, hélice para ondas, tapete anti-derrapante, captador de água tipo 'pá', que faz com que o jet pique menos na água. O sled é fundamental na hora do resgate, além de ter um par de velas e uma chave na mão, pois livra a cara muitas vezes.

Quais os eventos de jet-skis nas ondas você já organizou?
A ProNáutica dedica-se desde 99 a organizar a Copa Jet Waves no mês de setembro. Em 2001, foi o maior e mais importante evento de jet-ski realizado no Brasil. Já em 2002, ocorreu a solidificação do evento no calendário internacional. A IV Náutica Jet Waves Cup foi um enorme sucesso, contando com muitos pilotos internacionais. Em 2003 está sendo preparada a V Náutica Jet Waves Cup, com planos de ser ainda maior, além do primeiro campeonato Brasileiro de Jet Waves Cup.

A ProNáutica também organiza desde 91 provas de jet ski em Santa Catarina. A empresa colabora na realização do campeonato Catarinense de 92 a 2002, em que sou o diretor técnico da Federação Catarinense de Jet Ski. A Jet Waves Cup conta com apoio e parceria da Revista Náutica.

Um abraço a todos

Marcelo "Tchello" Brandão

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