Jet Waves 10 anos - a história
de um campeonato
> 31/08/2008
Tive meu primeiro contato com um jet ski em 1988,
quando morava no Rio de janeiro, logo em seguida comprei um Kawasaki
550 e me mudei para Floripa, e foi aí que tudo começou.
Começou então não só
a paixão pelo novo “brinquedinho”, até
então eu só corria de Motocross, saltava de pára-quedas,
pegava umas ondinhas meio “panela”, mas andar de jet
nas ondas era uma mistura disso tudo. O que eu não imaginava
é quanto problema aqueles jets antigos davam! A média
era uma hora de “banda”, cinco horas de conserto!
Em 1990 organizei a primeira prova de jet em Florianópolis,
dava aí início ao Campeonato Catarinense, que já
mudou de organizador por três vezes, mas até hoje
é disputado, e além de ser um dos mais antigos do
país já revelou grandes nomes do esporte. Ah, nesse
mesmo ano montei minha loja de jets que também tenho até
hoje!
A indústria foi melhorando, os jets quebrando
menos, já podíamos encontrar peças no centro
de São Paulo - quando comecei a andar de jet se você
precisasse de uma peça só ia encontrar no centro
de “Miami” -, cada vez mais amigos se juntavam para
andar nas ondas, porque achávamos mais divertido que as
corridas de velocidade, e em 1999 decidi com apoio dos amigos
realizar o primeiro Jet Waves.
Bom, como o esporte não existia tive que
criar um regulamento, que basicamente é o mesmo até
hoje, arrumar um patrocinador disposto a investir em algo novo,
e esse apoio foi oferecido pelo empresário / esportista
Marco Merhej, proprietário da grife Bad Boy, e que continuou
patrocinando o evento por mais três anos.
Juntamos 22 freeriders, divididos em 2 categoriais,
Sit-down (jet sentado) e Stand-up (jet de andar em pé).
A estrutura foi meio precária neste primeiro evento, um
palco de 3x2 com três guarda-chuvas, um para cada juiz,
uma caixa de som e um microfone atrás dos juízes,
foi assim que narrei o 1º Jet Waves, que aconteceu em setembro
na praia do Santinho, em Floripa.
O dia estava com altas ondas, tudo era improvisado,
desde o jet de resgate e a equipe de trabalho, toda formada por
amigos, aos juízes, que até então não
sabiam exatamente o que tinham que julgar, 50% surf e 50% saltos,
dizia a regra, mas como é isso?!?!
No fim tudo deu certo, Ivo Sehn venceu na categoria
stand up e Marco Merhej na Sit down.
O evento repercutiu internacionalmente, foi incrível,
em 2000 vieram os primeiros gringos, Jimmy Visser e o campeão
americano Eric Malone, além de todos os melhores pilotos
do país. Novamente no Santinho, altas ondas, o evento foi
muito melhor do que o esperado, já havia até um
pequeno palco, e muita mídia!
Ivo Sehn roubou novamente a cena, deixando Alessander
Lenzi em 2º e Eric Malone em 3º. Na sit down, o sul
africano “Jimbo” Visser não deu chance para
ninguém, deu um show, conquistou a simpatia de todos e
até hoje é o maior nome do esporte em minha opinião.
2001 foi a explosão do esporte, os gringos
vieram aos montes, dos 30 inscritos 13 eram estrangeiros, revistas
internacionais, a coisa “bombou”!
Altas ondas novamente quebravam no outside do
Santinho, o evento cresceu em tudo, estrutura, infra-estrutura,
e patrocinadores de prestígio. A prova foi disputadíssima,
destaque para o time americano de “ponta”, Joe Kenny,
Jeff Jacobs e Clay Cullen, enviados pela então maior fabricante
de trajes para Jet ski, a Jet Pilot, para levar o caneco lá
pro tio Sam, mas quem cantou de “galo” nesse dia foi
o Catarinense Alessander Lenzi, papou seu primeiro titulo do Jet
Waves de forma magistral.
Já na Sit-down o titulo ficou com Mr. Visser,
que a cada ano se supera com novas manobras e esse ano trouxe
todo o esquadrão de pilotos sul-africanos para o Brasil.
Chega 2002 e hora de mudar de local, o Jet Waves
aterrissa pelos próximos 3 anos na praia Mole em Florianópolis,
cenário totalmente diferente do Santinho, onda próxima
da praia tipo quebra-coco, muita badalação e passou
a ser disputado em novembro, quando nos anos anteriores era em
setembro.
Pela primeira vez o piloto considerado o mais
completo do mundo, o norte-americano Cris MaCclugage veio disputar
uma prova no Brasil, deu show, impressionou, mas não levou
o caneco, quem se sagrou Tri-campeão do Jet Waves foi piloto
local Ivo Sehn, que venceu Mac numa final emocionante com Lenzi
em 3º e o Italiano Federico Bufacchi em 4º. O destaque
deste ano ficou por conta do time italiano da Pharma-bag, comandado
pelo irreverente “Sergio, The Baron” e mais chefe
de equipe, cinegrafista, mecânico e outros 4 pilotos.
Na sit down mais uma vitória dele, que
esteve impossível, o sul-africano Jimbo Visser que não
perde viagem, e reina soberano em sua categoria.
Em 2003 o tempo não ajudou, choveu, mas
as ondas estavam lá, novamente a praia Mole recebia o então
5º Jet Waves, mais internacional do que nunca! Presentes
revistas de vários países, EUA, Inglaterra, França,
Japão, Espanha, Itália, o Programa PWC TV, apresentado
por Kevin Cullen e exibido em 129 países em 4 idiomas,
além da mídia nacional em peso, Rede Globo etc...
Aconteceu também uma das primeiras transmições
esportivas do país via internet em tempo real, ao vivo,
foram 20 horas em que e Embratel, patrocinadora do evento naquele
ano, abriu o sinal do satélite, enviou uma equipe técnica
e foi um sucesso! O Sr. Sergio “The Baron” novamente
competindo esse ano, tomou uma das maiores “vacas”
que já vi, êxitou entre saltar ou correr de uma onda
e uns 3 metros que levantou em sua frente e acabou sendo “trucidado”
pela mesma. Quebrou a clavícula, mas pode chegar na frente
da câmera e mandar um “ciao” para sua esposa
que assistiu tudo ao vivo da Itália e ligou na hora muito
preocupada.
Esse evento foi de um cara chamado James Visser,
filho do multicampeão Jimmy Visser, que fez literalmente
barba, cabelo e bigode vencendo nas 2 categorias, feito inédito
até hoje! Na sit down venceu sobre seu pai Jimmy, e na
Stand-up venceu a ninguém menos que Alessander Lenzi depois
de uma bateria final eletrizante.
2004, esse foi ano em que estive pela primeira
vez na França para conhecer o Jet Jump, evento semelhante
ao Jet Waves e que como no Brasil e nos EUA havia coincidentemente
sido realizado em 1999. O regulamento deles era pouco diferente,
mas a idéia era unificá-lo e fazer no ano seguinte
uma tour mundial.
Fundamos então a IFWA (International Freeride
WaterCraft Association) para regulamentar a modalidade no mundo,
e agendamos para o ano seguinte a 1ª Tour mundial, composta
por 5 eventos: Portugal, Espanha, França, EUA e Brasil.
E assim foi......
O evento esse ano reuniu uma gama de pilotos de
1ª grandeza, dos EUA vieram Joe Kenny, Josh Lustic, Cris
MaCclugage, John Havel e Rob Bortalomioli, Fabian e Kristel de
San Martin, G. Brandon, da Austrália, Jero, os sul-africanos
Jimmy e James Visser, Brett Armistrong, Jeremy Philipis, A. Smitt,
da Itália, F. Bufacchi e Alberto Monti, e também
a turma brasileira de peso, Lenzi, Ivo, Douglas Carvalho e companhia....
Quem acabou se dando melhor foi “Ivinho”
Sehn, que não havia disputado o ano anterior, mas acabou
subindo no degrau mais alto do pódio. Na Sit down Jimmy
voltou a vencer, desta vez em uma final contra o compatriota A.
Smith. Esse ano o evento foi considerado o melhor do gênero
no mundo pelas revistas internacionais, e no Brasil foi indicado
ao Premio Náutica, o maior prêmio de eventos náuticos
no país. Também tivemos o maior retorno de mídia
de todos os anos, chegando a 4 milhões de Reais só
no Brasil, pois a mídia internacional não pudemos
mensurar.
2005, primeiro ano da tour mundial, 3 provas em
3 finais de semanas seguidos na Europa abrem o calendário,
em outubro, nos Estados Unidos, e novembro a “Gran Finale”
da tour no Jet Waves, aqui no Brasil, que neste ano mudou de local
para a famosa praia da Villa, em Imbituba, sul do estado de Santa
Catarina. Essa praia, além de ter uma das melhores ondas
do país, também é zona de proteção
ambiental, APA, da baleia Franca.
Esse ano também foi o 1º da parceria
com a Interlog, empresa com um longo currículo em eventos
esportivos, e que entre outras organiza grande parte da Fórmula
1 no Brasil, e deu um grande impulso para o JW em todos os aspectos,
e a parceria e a evolução do evento continua numa
ascendente.
Ou seja, tínhamos que provar ao IBAMA que
o evento é “limpo”, que jet ski não
polui como as pessoas desinformadas acham, etc, etc...etc....e
fomos muito bem avaliados, em relatório posterior ao evento
o órgão parabeniza a organização do
evento pela realização do mesmo, que teve impacto
ambiental praticamente “zero” e inclusive menos do
que o evento de surf, o WCT, realizado no mesmo local algumas
semanas antes.
E as ondas não passaram de 1 metro no fim
de semana do evento, o italiano Bufacchi finalmente vence, depois
de tentar desde 2001, quando competiu pela 1ª vez aqui. Ivo
Sehn, que disputava o título mundial com o francês
Pierre Maixent machucou o joelho dias antes e não teve
condições de brigar pelo título, terminou
a primeira tour como Vice-campeão Mundial.
Na sit down, mais uma vez Jimmy Visser imbatível,
após uma disputa com o francês Maixent faturou a
etapa e o título de Campeão Mundial outra vez.
2006, o Jet Waves permanece em Imbituba, na mesma
praia da Villa na expectativa de ter boas ondas para esse ano,
mas que nada...foi ainda pior...o mar estava “flat”
com ondas que não passavam de meio metro quando muito!
Na água os pilotos se esforçavam
para proporcionar um bom show, e estava valendo também
o título mundial na stand-up, entre Bufacchi e Maixent,
o italiano chegou como favorito esse ano, liderou o Mundial até
a última bateria, mas morreu na praia! A condição
do mar mudou na última bateria também, estava tudo
lisinho quando então entrou um ventão, o mar ficou
picado e Bufacchi não se achou na bateria, Pierre Maixent
papou e evento e o título mundial numa só, e tornou-se
Bi-campeão mundial.
Na Sit down sem novidade, Jimmy Visser papou a
prova e o tíitulo novamente, depois de ótima bateria
final contra Maixent.
2007 vida nova! O Jet Waves está de casa
nova, atrás de um cenário diferente o evento muda
de data, de novembro para setembro, no feriado da independência,
fim de inverno, data em que a probabilidade de ter boas ondas
é bem maior. E também mudou de local, para a cidade
de Itajaí, SC, na praia Brava, junto ao Canto do Morcego,
um local lindo e badaladíssimo!
Não deu outra, tudo que não aconteceu
no ano anterior foi revertido, muito sol e altas ondas! Os pilotos
não acreditavam o que estava rolando, paredes de 2 metros
de água erguiam na frente deles, uma onda forte, rápida,
perto da areia, e perfeita! Foi o evento de freeride mais comentado
de todos os tempos, foi sensacional!
Todos os top do mundo presentes, independendo
de quem ganhasse o show na água era incrível, as
pessoas de boca aberta assistiram da praia sem piscar a essa incrível
batalha de manobras radicais! Estava difícil para os juízes
decidirem quem avançava na chave e era eliminado, grandes
nomes do esporte puxando seu limites....
A vitória acabou novamente na mão
desse monstro do freeride, o francês Pierre Maixent, que
chegou a seu 3º titulo mundial no 3º ano da tour –
isto no evento seguinte da Tour Mundial, nos Estados Unidos -
no Jet Waves 2007 Pierre venceu depois de uma final com o também
francês Gil Beurnier, o sul-africano Jeremy Philips ficou
em 3º e Leandro Vieira, o melhor brasileiro, classificou-se
em 4º.
Na sit down, em mais uma final contra Pierre,
o veterano pai do freeride Jimmy Visser também venceu o
evento e tornou-se Campeão da Tour na etapa americana pela
9ª. vez, coisa que nem Kelly Slater conseguiu!
Marcelo "Tchello"
Brandão - criador e organizador do Jet Waves
Jet Waves 2001

Jet Waves 2002

Jet Waves 2003

Jet Waves 2004

Jet Waves 2005

Jet Waves 2006

Jet Waves 2007

Jet Waves 2007
Jet Waves 2007
Jet Waves 2007
Jet Waves 2007
Tchello
Marcelo "Tchello"
Brandão
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