O filme Free Loaders no litoral
de Santa Catarina - março 2002
Tudo começou com
um email do Jimbeau Anwdreus, que é a pessoa que agora
irá organizar o novo e totalmente reformulado campeonato
americano de jet ski 2002, mas isso será tema de uma
próxima coluna. Jimbeau escreveu indagando da possibilidade
de gravar uma parte do filme Free Loaders aqui no Brasil. A
princípio eles iriam gravar na Austrália, mas
se eu arrumasse algo interessante poderiam vir para cá.
Jimbeau já estivera aqui no Jet Waves 2001 e viu
que se tratava de um lugar muito legal.
Resolvi então bolar essa trip de escuna pelo litoral
sul de Santa Catarina, de Floripa ao Farol de Santa Marta. Consultei
o Dedeco da agencia de esportes radicais Trip
Tur, ele arrumou a escuna, transportes de terra e até
organizou uma balada de quadriciclo noturna no parque florestal
do Rio Vermelho que a galera não acreditou!
O Jimbeau comprou a idéia e marcamos para 03/03 a chegada
do pessoal, os pilotos Jeff Jacobs (piloto mais premiado
no mundo do jet ski, conquistou recentemente seu 10o título
de Campeão Mundial Profissional em raias) e Joe Kenny
(piloto free rider de grande destaque internacional). Vieram
juntos também a repórter internacional que escreve
para revistas especializadas, entre elas a Personal Water Craft
Magazine, Heather Selwitz (que já estivera aqui no Jet
Waves 2001), e o premiado cinegrafista e diretor Brooks Guyer,
da Freespace Mídia, que foi quem comandou as filmagens.
A chegada dos jets
A chegada dos jets foi antes da dos pilotos, mas por erros no
preenchimento da papelada por conta da agência contratada
no envio dos mesmos perdemos 3 dias de filmagens, e a turma
aproveitou para conhecer a Ilha de Floripa e ficaram encantados.
Hospedaram-se ao chegar na casa do Rodrigo no Ribeirão
da Ilha por 2 dias, depois a convite do Rafael Ramos passaram
mas 2 dias em sua casa no canal da Barra da Lagoa.
A convite da produtora Alessander Lenzi e Ivo Sehn fariam parte
do filme, mas para o azar de Ivo ele machucou a coluna uma semana
antes e muito a contragosto não pôde participar,
teve que ficar de molho. Para substituí-lo convidamos
então o Antonio Pruner Jr, que venceu a categoria amador
do Jet Waves 2001 para embarcar nesta Trip.
Dia 8 - Zarpamos
Enfim tudo liberado, passamos no supermercado e com 7 carrinhos
cheios até a tampa, abastecemos a escuna Vento Sul, do
capitão José Luiz, uma linda embarcação
de 65 pés que nos levaria a uma das aventuras mais legais
que já vivenciei.
Tudo a bordo, comida, combustível, jets, cerveja, zarpamos
do píer de Coqueiros. Jeff, Joe, Brooks, Heather, Junior,
o Flávio Vidigal fotografo e cinegrafista, Dedeco, Capitão
José Luiz e seu auxiliar Nando e eu, Tchello, é
claro, todos a bordo. Zé construiu uma espécie
de cavalete para prender os jets em cima da cabine, para que
os jet ficassem bem firmes caso pegássemos mar ruim.
Quando fazia 1 hora que estávamos navegando para fora
da baia, deixando o iluminado cartão postal da ponte
Hercílio Luz atrás de nós, na altura do
Ribeirão da Ilha nasceu uma lua cor de mel que fez com
que todos parassem tudo o que estavam fazendo, colocamos um
Pink Floyd a mil, e ficamos curtindo de boca aberta.
Por volta de 3 da manhã paramos para dormir nossa primeira
noite a bordo. Ancoramos no lado norte da praia de Naufragados,
apesar de ser um lugar que sempre tem ondas estava uma piscina
como raramente acontece, o que nos levou a resolver fazer um
churrasco. A noite estava quente e o céu estrelado, e
já previmos que não teríamos nada de ondas
no dia seguinte.
Acordamos com um "solzão"
na cara, o que era ótimo e empolgou a todos, porque os
dias anteriores foram chuvosos, mas o mar estava mesmo "flat",
sem vento, um verdadeiro espelho, então resolvermos ir
até a ilha dos Moleques para uma seção
de mergulho, fazer umas imagens subaquáticas. O pessoal
a bordo que estava na fase de adaptação ao balaço,
rolou um "dramazinho" e tudo foi resolvido.
Mergulhávamos perto da ilha quando o Dedeco viu uma caverna
e me chamou para subirmos e dar uma olhada, para que!!!, meti
a mão nos mariscos na pedra e fiz um belo de um talho
que iria me incomodar o resto da viagem. Todos a bordo novamente,
fala daqui enrola dali resolvemos nos reunir para decidir o
que íamos fazer, afinal estávamos atrás
das ondas e elas nada de aparecer. A previsão na Internet
dizia que ia entrar um swell não muito grande de sul,
resolvemos então dar uma reviravolta no roteiro que previa
irmos parando descendo rumo ao sul e ir direto para Laguna,
o ponto mais ao sul que iríamos esperar o swell e vir
subindo de volta para Floripa. Rumamos para Imbituba, uma vez
que não daria para alcançar Laguna naquele dia,
e dormimos no abrigo do Porto de Imbituba aonde chegamos à
noite.
Dia 9 - Na Praia da Vila
Acordamos e o Joe não estava legal, tossia muito e estava
meio febril, fui até a praia onde fui recebido pelo Secretário
Municipal de Esportes, Sr. Pita e imprensa local, que nos acolheu
muito bem em seu município. Fomos então para a
primeira seção de ondas e filmagens na praia da
Vila, conhecida por ter uma das melhores e maiores ondas do
Brasil, tem uma ponta com mais duas pequenas ilhas na frente
que quando o mar está grande rola uma onda tubular, mas
infelizmente só tinha mesmo meio metro de onda. Azar
dos free riders e sorte dos cinegrafistas, o dia estava lindamente
ensolarado e a água clara e verde, e esta é a
descrição do clima e da água que encontramos
em toda a viagem, as ondas variaram de tamanho, mas os dias
foram sem exceção todos lindos.
Chegou a hora de testar se a engenharia do capitão Zé
para alçar e tirar os jets da escuna funcionariam, na
teoria estava lindo, para baixar era só estender 2 tábuas
e fazer com que eles escorregassem para água e para içar
usaríamos a retranca do mastro adaptada como guincho.
E lá vai o primeiro jet, do Joe, e ele se joga junto,
depois os outros do Jr. e do Jeff, tudo certo. Tinha um meio
metrinho de ondas, mas a galera estava fissurada para andar,
e o pessoal da produção para entrar em ação.
Puxamos os 2 Jet Boats Explorer que levamos para o apoio e para
levar os cinegrafistas para bem perto da ação.
O pessoal se derreteu de andar e filmar e fotografar.
Antes de irmos embora resolvi levar o Joe a um médico
para ver o que estava acontecendo, não é só
porque ele havia tomado 10 Smirnoff Ice antes de sairmos que
ele ficaria mau, afinal de contas está acostumado a beber
e mora em um veleiro na Califórnia e está acostumado
ao balanço do mar. O Dr. Marcos que estava de plantão
no hospital de Imbituba nos atendeu, tirou uma chapa do pulmão
dele e concluiu que ele estava com uma infecção
no pulmão, receitou uma medicação que surtiu
efeito positivo nos dias que se sucederam. E na hora de içar
os jets, para nossa surpresa, porque não estávamos
botando muita fé na engenharia do capitão, a coisa
funcionou e os colocamos a bordo numa boa. Jr. desembarcou e
nos encontraria outro dia por terra.
Rumamos para Laguna, onde temos que chegar ainda com luz para
entrar nos molhes, é um lugar meio difícil de
entrar para quem não conhece a região, porque
tem um banco de areia na entrada e tem que ser contornado. Jogamos
ancora em frente ao Iate Clube de Laguna e por ali dormimos.
Dia 10 - Na Praia da Galheta
Acordamos e nos encontramos com o Lenzi que lá nos esperava,
fomos também recebidos pelo Secretário Municipal
de Laguna, Sr. Itamar, que foi muito prestativo. Recebemos a
bordo o Tomáz Cavalieri, da ESPN Brasil, que foi trazido
pelo Rodrigo e a Simone que passaram o dia conosco. Embarcamos
o Lenzi e seu jet e rumamos para a praia da Galheta, próximo
ao farol de Santa Marta, é uma praia quase sem casas
de uma beleza incrível. Pudemos realizar ótimas
cenas, havia aquele mesmo meio metro de ondas do dia anterior,
e entre back flipes e tunôs, a manobra mais bonita do
dia foi o back flip sem mãos do Jr.
Fim de tarde voltamos para Laguna e dormimos novamente em frente
ao Yate Clube. Era para termos ido na festa do Tourist Hotel
que encerra a temporada de verão, mas todos estavam pregados
e desmaiaram em suas camas, ou redes, ou ao ar livre porque
a noite estava linda.
Dia 11 - Imbituba, Praia da Vila
Segunda-feira, logo cedo, uma parte do pessoal pegou o jet boat
para ir fazer algumas compras na cidade, deram mole com uma
corda que entrou na turbina, acordei um pouco mais tarde e quando
fui dar uma olhada para fora lá estava ele, o Explorer
numa carreta na rampa do Iate Clube, tira turbina troca retentor
que vazou, tudo pronto, ainda não, o outro jet boat do
Dedeco espanou a estria da hélice. O que fazer a esta
altura num Domingo e já atrasado para a saída.
Resposta = "Enjambre". Calçamos o eixo mais
para trás e deu certo, alias está andando assim
até agora. Encontramos com o Wamilton que recém
chegara de Miami, e nos deu uma força legal.
Zarpamos de Laguna rumo a praia de Itapiruba onde embarcamos
a Carolina Salles, repórter da revista Náutica
que tem sempre nos apoiado, mas as ondas não estavam
muito legais e fomos novamente para a praia da Vila em Imbituba,
só que agora as ondas estavam quebrando no fim da praia
em frente a um paredão de pedras, é de onde vinham
as melhores. Jeff, Joe e Lenzi deram um verdadeiro show, os
fotógrafos e cinegrafistas das pedras tinham um ótimo
ângulo para as fotos. Joe deu com o bico do jet no fundo
e teve que parar porque o mesmo quebrou, enquanto eu levava
o Brooks no Explorer para bem perto da ação. Bem
perto mesmo, o lugar era casca grossa, com ondas grandes e irregulares
quebrando em lugares diferentes, por 3 vezes me vi em apuros
quando ondas quebraram dentro do Explorer e nos jogavam contra
as pedras, mas com calma e habilidade contornamos a situação,
tudo por boas imagens. E foi o que tivemos, primeiro o Jeff
saltou reto por cima de nós, não contente com
isso roubou a cena do dia quando deu um back flipp por cima
do outro Explorer que o Joe estava pilotando por ali.
No fim do dia arrumamos um surfista local o "Capa Verde"
que se propôs a arrumar o jet do Joe para a manhã
seguinte. Fomos para o porto de Imbituba onde dormimos novamente.
O vento parecia estar virando para sul, e se isso acontecesse
o mar subiria bastante. Mais tarde o Lenzi ligou convidando
para ir à festa de aniversário do Morongo, dono
da Mormaii, o Wamilton veio com um carro e mais um táxi
e nos levou lá, a festa era em um espaço montado
na frente da fábrica, e estava massa, quer dizer estava
churrasco, com direito a banda e tudo, muito legal valeu o convite.
Dia 12 - Na Praia do Rosa
Acordei com o celular tocando, era o Capa Verde dizendo que
o jet estava pronto e iria trazê-lo até o porto,
fomos a praia esperar e eis que surge ele com jet sendo trazido
em uma velha carroça de carga puxada por cavalo, ninguém
acreditou, a cena foi clássica, e dali filmar!!
Levantamos âncora para a bela praia do Rosa que estava
com ondas legais, um pouco demoradas, mas rendeu um bom dia
de trabalho, depois o pessoal foi para a terra desfrutar a boa
comida do Pirata do Rosa e a hospitalidade da Kiki, da Reserva
do Rosa.
Fim de tarde rumamos para baía de Garopaba, saí
a noite com Dedeco e Vidigal para encontrarmos o Lenzi e ir
comprar gasolina. O ônibus do Lenzi estava estacionado
atrás do Café Mormaii, paramos o jet boat na frente
e fomos atravessar o lugar que estava fechado, mais eis que
para nossa surpresa havia um grande cão pastor branco
que me deu uma dentada! Agora além da mão cortada
também estava com uma mordida de cachorro, é mole!
Concluída a operação gasolina fomos dormir
com um suave balanço das ondas.
Dia 13 - Na Ilha do Coral
Aidéia era pegar umas ondas na praia da Guarda do Embaú,
mas não havia nada de ondas nesse dia, então rumamos
para a ilha do Coral que tinha uma das águas mais limpas
e quentes que já vi por aqui, mergulhamos até
o meio da tarde, o Vidigal até arpoou uns peixes para
o almoço e o Brooks e o Joe se encarregaram de colher
uns mariscos. Botamos tudo para cozinhar e rumamos para ilha
do Papagaio, uns dos lugares mais esperados por todos.
Antes de desembarcar almoçamos os peixes e mariscos,
o Ivo estava nos esperando e preparou uma ótima recepção
para o pessoal com coquetéis ao desembarcar, a galera
pirou com tudo na ilha, a comida, o visual, os bangalôs,
e principalmente a hospitalidade da família Sehn.
Sabe lá você o que é dormir esparramado
numa cama de casal em um bangalô na Ilha do Papagaio depois
de uma semana dormindo na escuna? "Heaven"!!
Dia 14 - Na Ilha do Papagaio
Acordamos e depois de um maravilhoso café da manha demos
um passeio pela ilha e em seguida rumamos para a praia do Moçambique
em Floripa, onde iríamos fazer nossa penúltima
seção de filmagem e uma equipe da TV RBS nos aguardava
para gravar uma matéria sobre o filme. As ondas quando
chegamos não estavam lá as melhores, mas com a
maré vazante no fim do dia deram uma boa melhorada.
Fizemos o desembarque da galera lá mesmo, com os Explorer
e uma lancha de apoio, tinha mala e equipamento para baixar
que não acabava mais, seguimos para a pousada também
Vento Sul do Ruy, na Lagoa da Conceição, onde
o pessoal ficou muito bem hospedado até a hora de partir.
Dia 15 - Dia de descanso
A turma tirou para descansar, dar uma geral nos equipamentos,
a Carolina e o Tomáz embarcaram de volta para Sampa,
e saímos para a ultima noitada, fomos a uma casa noturna
e nos divertimos até de madrugada. Eu fui embora mais
cedo porque não estava me agüentando em pé,
e no outro dia cedo faríamos a última seção
de filmagem no Canto das Aranhas, final da praia do Moçambique.
Dia 16 - Última dia em Moçambique
Cheguei cedo e fui logo tirando todos da cama, pois havia ido
verificar a condição do mar, estava um dos melhores
dias, apressei todo mundo e saímos para o mar, fomos
pela água andando com os jets, subimos o canal da Barra
e entramos na praia atrás de um bom pico e que não
tivesse nenhum banhista por perto nem ninguém surfando
também, porque nunca andamos perto deles, e tivemos uma
incrível sessão saidera, com ondas de 1 metro
bem consistentes.
Às 6 da tarde levamos todos para o aeroporto, Jeff, Joe,
e Heather foram para Los Angeles, e Brooks foi filmar a última
parte do filme em Cabo, na África do Sul. Não
encontramos as grandes ondas, mas também essa não
é a melhor época do ano para elas, mas tivemos
dias incríveis e todos curtiram muito essa aventura.
O filme nem saiu e já estão pensando em vir de
novo no inverno gravar o Free Loaders II,
daí sim com ondas grandes mesmos!!
Até mais
Marcelo "Tchello" Brandão
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